🏆 RESUMO DA NOTÍCIA
- História escrita: Aos 17 anos, Guto Miguel tornou-se o primeiro brasileiro a conquistar o título juvenil de simples em Roland Garros, superando marcas de grandes nomes do país na fase de base.
- Superação médica: O goiano revelou que quase ficou de fora do torneio devido a fortes dores no punho na semana anterior ao grand slam, precisando focar na recuperação física.
- Pés no chão: Atual número 1 do mundo na categoria de base, o tenista destacou que a transição para o circuito profissional da ATP será feita de forma consciente e sem pular etapas.
O futuro do tênis brasileiro desembarcou em solo nacional esbanjando a mesma confiança com que dominou as quadras de Paris. Aos 17 anos, o goiano Guto Miguel escreveu seu nome na história ao se tornar o primeiro brasileiro a conquistar o inédito título juvenil de simples em Roland Garros. Nem mesmo lendas como Gustavo Kuerten, na década de 1990, ou promessas recentes como João Fonseca alcançaram tamanha magnitude no saibro francês durante a fase juvenil.
Nesta terça-feira (9), em entrevista coletiva realizada no Iate Tênis Clube, em Brasília — local onde treina —, a joia do tênis nacional deixou claro que sua mentalidade não conhece limites modestos.
“Meu sonho é ser o número 1 do mundo, ganhar Wimbledon como profissional e tentar ser o maior da história. Eu sempre fui um menino muito apaixonado por tênis, mas acima de tudo apaixonado por ganhar. Nunca gostei de perder nem no par ou ímpar. Acho que isso me ajuda hoje em dia a ser competitivo dentro de quadra, a não aceitar a derrota.”
— Guto Miguel, campeão juvenil de Roland Garros.
Superação nos bastidores: o drama do punho
O que pouca gente sabe é que a campanha histórica em Paris quase não aconteceu. Guto revelou que enfrentou graves complicações físicas na semana que antecedeu o Grand Slam, após disputar o torneio de Milão convivendo com fortes dores.
“Na semana anterior do torneio a gente treinou muito pouco, focou muito na parte física. De quadra, eu não estava realmente conseguindo nem bater na bola de tanta dor. Saber lidar com esse tipo de situação foi um desafio muito grande e que, ao mesmo tempo, me fez mais forte durante o torneio”, relembrou o tenista, destacando o papel de sua equipe médica e técnica na superação.
Da infância leve em Goiânia ao “choque de realidade” em Brasília

Durante a coletiva, Guto relembrou com carinho as suas origens em Goiânia, onde aprendeu a ver o tênis de forma leve e divertida. No entanto, a grande virada de chave rumo ao alto rendimento aconteceu aos 14 anos, quando se mudou para a capital federal para treinar com os técnicos Dumont e Kiki.
O início em Brasília exigiu abdicação e uma transformação física imediata:
- O começo: chegou aos 14 anos fora da forma física ideal (“meio gordinho”) e com ritmo de treino de apenas uma vez por semana.
- A rotina de elite: passou a encarar treinos diários de até sete horas, incluindo rotinas pesadas de preparação física e corridas obrigatórias ao redor do clube após as sessões de quadra.
- Evolução técnica: consolidou a sua direita (forehand) como o seu golpe preferido e principal arma de definição, embora ressalte que segue focado em evoluir o repertório completo de jogadas.
Transição consciente para o profissional
Apesar de mirar o topo do circuito da ATP, o atual número 1 do mundo juvenil mantém os pés firmes no chão quando o assunto é o calendário de transição para o circuito profissional. A ordem nos bastidores é não queimar etapas.
“O juvenil ainda tem algumas coisas para me ensinar. A gente não pode pular etapas, é uma coisa que a gente sempre valoriza aqui”, pontuou o atleta, que já volta aos treinos nesta quinta-feira. Questionado sobre a cobrança do público, ele deu uma resposta digna de veterano: “A pressão é um privilégio. A gente treina sete horas por dia para chegar bem. Na quadra, tento jogar apenas ponto por ponto”.
Com o título de Roland Garros na bagagem, Guto lidera uma nova e promissora safra do tênis nacional. “O tênis brasileiro tem crescido bastante. Acho que nós, juvenis, estamos tendo bons resultados. Logo, logo a gente pode ter mais alguém do Brasil ali no top 100 de novo”, concluiu.

