O tênis brasileiro alcançou o topo do planeta neste sábado (06/06). Com uma exibição madura, agressiva e repleta de recursos táticos, o goiano Guto Miguel faturou o título inédito da chave de simples masculina juvenil de Roland Garros 2026. Na grande decisão, o principal cabeça de chave do torneio derrotou o norte-americano Michael Antonius (14º do ranking) por 2 sets a 0, com parciais de 6/3 e 6/4.
Além de erguer a inédita taça, Guto carimbou oficialmente a sua ascensão ao posto de novo número 1 do mundo no ranking sub-18 da ITF, ultrapassando o búlgaro Ivan Ivanov. Ele se junta a um panteão ultrasseleto de brasileiros que lideraram o ranking mundial juvenil, ao lado de Tiago Fernandes (2010), Orlando Luz (2015) e João Fonseca (2023).
Raio-X da grande final juvenil
| Destaque do jogo | Detalhes do confronto |
|---|---|
| Placar final | Guto Miguel (BRA) 2 x 0 Michael Antonius (EUA) — 6/3 e 6/4 |
| Estratégia do 1º set | Domínio no fundo de quadra e curtinhas milimétricas para quebrar o rival no quinto e no nono game. |
| Susto no 2º set | Abriu 5/2, sofreu com erros não forçados no momento de fechar, mas recuperou o controle para selar o jogo em 6/4. |
| Novo status | Campeão de Roland Garros e novo número 1 do mundo no ranking juvenil da ITF. |
O jogo: curtinhas, lob e sangue frio na hora de fechar
Guto Miguel entrou na quadra com o favoritismo nas costas e um plano de jogo cirúrgico para cansar o rival.
- Primeiro set dominante: O brasileiro começou pressionando o saque de Antonius e conseguiu a primeira quebra no quinto game após duas curtinhas milimétricas. Guto seguiu mandando no fundo de quadra e, após desperdiçar quatro set points no terceiro game, usou sua agressividade para quebrar o norte-americano novamente e fechar em 6/3.
- Susto e alívio no segundo set: A segunda parcial parecia controlada quando Guto deslanchou, venceu oito pontos seguidos e abriu confortáveis 5/2. Sacando para o título, o brasileiro sentiu o peso do momento, cometeu erros não forçados e viu Antonius devolver a quebra (5/4). Sem se abalar, Guto voltou aos trilhos no game seguinte, pressionou o saque do rival e, no segundo match point, soltou o grito de campeão: 6/4.
O fim de um tabu assustador no saibro
A conquista de Guto Miguel ganha contornos épicos quando olhamos para o passado do tênis brasileiro. O país bateu na trave em simples masculino juvenil em Roland Garros há quase 60 anos, com o vice-campeonato de Luís Felipe Tavares em 1967. Antes dele, Edison Mandarino (1959) e o lendário Thomaz Koch (1962 e 1963) também perderam na grande decisão.
Nem mesmo o maior jogador da nossa história, Gustavo Kuerten, conseguiu o título de simples na base em Paris — Guga levantou o caneco juvenil de duplas em 1994, antes de chocar o mundo com o tricampeonato profissional. No ano passado, Vitória Miranda havia conquistado a glória em simples e duplas na categoria de cadeira de rodas, mas o caneco masculino de simples da base ainda era uma fortaleza inexplorada pelo Brasil.
Clube dos campeões de Slam: Guto Miguel é agora o quarto brasileiro na história a vencer um Grand Slam juvenil de simples, juntando-se a:
- Tiago Fernandes (Australian Open 2010)
- Thiago Seyboth Wild (US Open 2018)
- João Fonseca (US Open 2023)

