A eliminação nas quartas de final de Roland Garros deixou marcas em Felix Auger-Aliassime. Conhecido por ser um dos atletas mais equilibrados, polidos e resilientes do circuito mundial, o canadense adotou um tom de rara e dolorosa vulnerabilidade ao avaliar a derrota de virada para o italiano Flavio Cobolli nesta quarta-feira (03/06).
Mesmo com o lado matemático jogando a seu favor — a grande campanha no saibro parisiense garantiu o seu retorno oficial ao top 4 do ranking da ATP na próxima semana —, Felix confessou que a dor do resultado imediato engoliu qualquer motivo de celebração.
“Olhando de uma perspectiva maior, eu não posso reclamar da minha vida. Mas, estou neste momento da minha carreira… é difícil. Estou um pouco destruído. É difícil.”
— Felix Auger-Aliassime, em tom melancólico na sala de imprensa.
O que mais chamou a atenção dos jornalistas presentes em Paris foi o fato de Aliassime reconhecer que o seu mecanismo habitual de defesa contra derrotas simplesmente falhou desta vez. O atleta, que costuma digerir os tropeços de forma rápida e pragmática, admitiu estar em um lugar mental cinzento.
“Normalmente eu gerencio bem minhas derrotas, preciso dizer. Ao longo da minha carreira, foi tipo voltar a treinar, estando positivo e otimista, mas hoje não sinto que estou no lugar em que deveria. Hoje é um dia difícil”
— Felix Auger-Aliassime, confessando o baque psicológico.
A frustração de Aliassime se justifica pelo cenário aberto que se desenhou nesta edição de Roland Garros. Com a chave masculina repleta de surpresas e a ausência de grandes favoritos nas fases finais, o canadense sentia que tinha o tênis e a experiência necessários para buscar o seu tão sonhado primeiro título de Grand Slam.
Enquanto Felix junta os cacos emocionais para focar na transição para a temporada de grama, Cobolli avança para a semifinal onde aguarda o vencedor do duelo italiano entre Matteo Berrettini e Matteo Arnaldi.

