A Itália continua ditando o ritmo no circuito da ATP. Pouco após fechar uma grande vitória de virada contra o canadense Felix Auger-Aliassime, o jovem Flavio Cobolli deu um show de carisma na tradicional entrevista em quadra. Garantido pela primeira vez na carreira na semifinal de um Grand Slam, o atual 14º colocado do ranking mundial não escondeu o tamanho do alívio e da emoção:
“Tenho que começar com um ‘merci à tous’ (obrigado a todos, em francês) porque sempre começo assim e sou muito supersticioso. Esta é a minha quadra favorita, onde consigo jogar o meu melhor tênis. Tive a sensação de que esta era a oportunidade da minha vida.”
— Flavio Cobolli, celebrando a vaga no top 4 de Roland Garros.
Após dias de um calor sufocante em Paris — que inclusive causou o colapso físico e a queda precoce do número 1 do mundo, Jannik Sinner —, a quarta-feira (03/06) foi marcada por uma queda brusca de temperatura e fortes rajadas de vento no complexo de Roland Garros.
Enquanto a maioria dos tenistas corre para ajustar a tensão das cordas das raquetes para adaptar o controle ao frio, Cobolli revelou que sua obsessão por rituais falou mais alto. O italiano manteve exatamente a mesma configuração que usou nos dias de calor extremo.
“No tênis, cada dia é diferente e temos que aceitar todas as circunstâncias. Acho que consegui, e talvez isso tenha me ajudado a vencer”
— Flavio Cobolli, explicando que não mudou nada por pura superstição.
Raio-x de Cobolli em Paris
| Desafio em quadra | Solução do italiano |
|---|---|
| Mudança climática | Queda brusca de temperatura e fortes rajadas de vento após dias de calor sufocante. |
| Tensão das cordas | Recusou-se a alterar o ajuste das raquetes para o frio, mantendo a configuração do calor por pura superstição. |
| Foco psicológico | Aceitou as condições adversas mais rápido que o rival, encarando a partida como a grande oportunidade de sua vida. |
Semifinal 100% Italiana
O chaveamento de Roland Garros reservou um cenário histórico para os torcedores do país da bota. O adversário de Cobolli na semifinal de sexta-feira sairá do confronto direto entre os seus compatriotas Matteo Berrettini e Matteo Arnaldi.
Ao ser questionado sobre o fato de a Itália já ter, obrigatoriamente, um finalista garantido na chave masculina de Roland Garros, Cobolli usou o bom humor:
“Imagino que o presidente (da Federação Italiana) esteja feliz agora. Temos apenas que esperar pelo Matteo! Sei que um Matteo estará comigo nas semifinais e desejo boa sorte aos dois. É a melhor semana da minha vida, mas ainda falta alguma coisa e terei que lutar.”
— Flavio Cobolli, brincando com o fato de os dois possíveis rivais terem o mesmo nome.
Sem inventar moda, o tenista garantiu que manterá os pés no chão e não mudará um milímetro do que vem dando certo: “Farei minha rotina habitual: jantar com amigos e depois irei dormir”.

