O mundo do tênis ainda tenta entender o que aconteceu na quadra Philippe Chatrier nesta quarta-feira (03/06). A impressionante eliminação de Aryna Sabalenka para a jovem russa Diana Shnaider, com direito a um “pneu” no terceiro set, deixou a imprensa e os ex-atletas perplexos.
Durante a transmissão oficial no canal TNT Sports, o ex-número 1 britânico Tim Henman não poupou palavras e definiu a situação como um “verdadeiro ‘meltdown’ (derretimento) na quadra”. No entanto, foi a lendária Chris Evert, heptacampeã do Aberto da França, quem trouxe a análise mais cirúrgica e profunda sobre os bastidores técnicos do colapso.
“Eu nunca vi a Sabalenka estar vencendo por um set e 4/1, jogando relativamente bem, e de repente o jogo dela desmoronar desse jeito. Este era o torneio dos sonhos dela; ela passou o ano inteiro sonhando com isso. De uma hora para a outra, ela perdeu completamente a sensibilidade. É inacreditável.”
— Chris Evert, ex-número 1 do mundo.
O fator técnico: o vento como inimigo
Sabalenka reclamou abertamente do vento em sua coletiva, mas para Evert, a questão vai além do incômodo climático: trata-se de uma deficiência tática da bielorrussa. A americana traçou um paralelo imediato com a derrota sofrida por Sabalenka para Coco Gauff na final do US Open, apontando que a líder do ranking não sabe adaptar seu jogo quando as rajadas aumentam.
| Falha apontada | Análise de Chris Evert |
|---|---|
| Falta de ajuste | “Eu não acho que ela aprendeu a jogar com vento. O vento exige trabalho de pernas, passos de ajuste ao redor da bola, porque ele faz a bola mudar de trajetória.” |
| A pressa fatal | No vento, o atleta precisa esperar até o último segundo para plantar os pés e golpear a bola com segurança, algo que o estilo ultra-agressivo e apressado de Sabalenka simplesmente ignorou. |
O fator psicológico: o peso do favoritismo
Além da falha mecânica sob o vento, Evert — que notou Sabalenka discutindo asperamente com sua própria equipe técnica no meio do segundo set — destrinchou o cenário mental que pode ter empurrado a número 1 para o “buraco profundo e escuro” que ela mesma relatou após o jogo.
Com a queda precoce de cinco das principais cabeças de chave nas rodadas anteriores, Sabalenka era a única campeã de Grand Slam viva no torneio. De acordo com Chris Evert, a ficha desse isolamento pode ter caído no pior momento possível.
“Pensem comigo: cinco das principais cabeças de chave já tinham sido eliminadas do torneio. Talvez isso estivesse no fundo da mente dela: ‘Eu sou a obrigada a ganhar isso agora’. O peso do favoritismo pode ter esmagado o emocional dela. Pode haver um milhão de razões, mas o fato é que simplesmente não era a semana dela.”
— Chris Evert.
Enquanto a bielorrussa junta os cacos psicológicos e planeja “destruir coisas” para desabafar, Roland Garros coroa uma edição completamente imprevisível e vê Diana Shnaider se consolidar como uma realidade assustadora no circuito da WTA.

