Líder do ranking mundial desde outubro de 2024, Aryna Sabalenka analisou sua trajetória profissional e o amadurecimento emocional em entrevista recente à revista Vogue. A tenista bielorrussa de 28 anos relembrou o ceticismo que enfrentou no início da carreira por parte de técnicos e destacou o apoio do empresário Alexander Shakutin como um divisor de águas para sua consolidação no circuito de elite.
“Muitos treinadores me diziam que eu era burra, que tudo o que eu sabia fazer era bater forte na bola e que eu nunca chegaria ao top 100“, revelou Sabalenka. “No entanto, Alexander Shakutin me ajudou muito. Ele foi quem realmente acreditou em mim. Muitos acreditaram em mim, mas ele foi quem mais me ajudou.”
A importância do erro e a competitividade do circuito
Para a atual número 1 do mundo, a assimilação das derrotas e dos próprios erros foi um elemento central em seu processo de evolução técnica e mental. Sabalenka rejeita a postura de indiferença após os reveses, defendendo que o sofrimento desportivo faz parte do aprendizado necessário para o atleta de alto rendimento.
“Se eu não me importasse e pensasse: ‘Tanto faz, vamos para a próxima’, eu não aprenderia. Isso seria prejudicial. Essa é a parte difícil de ser atleta: você não pode ganhar sempre. Em algum momento, seu corpo vai dizer que já chega, vai te limitar”, avaliou a jogadora, acrescentando que a alternância de poder no circuito é saudável para o público. “É prazeroso, mesmo quando alguém jovem e promissor vence a número um do mundo. Se alguém ganhasse tudo, não seria muito interessante de se assistir.”
Expressão emocional e concentração
Conhecida por sua intensidade e expressividade durante as partidas, a bielorrussa também abordou as críticas sobre suas reações temperamentais em quadra. Segundo Sabalenka, houve uma mudança na forma como ela enxerga os próprios momentos de oscilação e frustração.
Se na juventude o excesso de emotividade gerava autocobrança e irritação interna, hoje a tenista encara o extravaso como uma ferramenta tática de reajuste psicológico.
“Agora eu entendo que não tem problema jogar a raquete no chão, gritar, que não tem problema perder a cabeça se você sentir que está se segurando demais. Às vezes você só precisa desabafar, se esvaziar e estar pronta para jogar a partida novamente. Pode parecer feio e terrível para quem vê de fora, mas eu preciso disso para me manter concentrada”, concluiu a líder do ranking.

