HomeWTA"Entendo por que acham que sou uma megera": Sabalenka abre o jogo sobre fama, gritos e o colapso em Paris

“Entendo por que acham que sou uma megera”: Sabalenka abre o jogo sobre fama, gritos e o colapso em Paris

Resumo da notícia
  • O apagão de Roland Garros: Sabalenka minimizou a crise pós-eliminação para Diana Shnaider e classificou o ocorrido como um “tapa na cara necessário”.
  • Pedido de desculpas: A bielorrussa revelou que mandou mensagem para Coco Gauff para se desculpar por declarações do passado e garantiu que o clima entre elas é ótimo.
  • Fama de brava: A tenista brincou sobre sua fisionomia eslava intimidadora e explicou que seus gritos intensos em quadra funcionam como válvula de escape.

Há menos de um mês, o tênis testemunhou um dos colapsos emocionais e técnicos mais impressionantes da história recente do circuito. Em Roland Garros, a número 1 do mundo, Aryna Sabalenka, parecia absolutamente invencível. Nas quartas de final, a bielorrussa vencia Diana Shnaider por 6/3 e 5/3, com a vaga encaminhada após a queda de suas principais rivais na chave. Mas o inexplicável aconteceu: ela perdeu dez games consecutivos, foi eliminada com um “pneu” no terceiro set e, ainda em choque na coletiva, disparou: “Só quero largar o tênis agora”.

Às vésperas de estrear em Wimbledon, a tenista de 28 anos decidiu colocar os pingos nos is. Em uma longa e sincera entrevista exclusiva ao jornal britânico The Guardian, Sabalenka abriu o coração, explicou o que de fato aconteceu no saibro de Paris e falou abertamente sobre sua famosa “cara de brava”, revelando que sua fisionomia esconde uma pessoa completamente avessa a conflitos.

O desabafo pós-Paris e as desculpas a Coco Gauff

Sabalenka fazendo uma dança do TikTok com a jogadora americana Coco Gauff durante uma sessão de treino em Wimbledon no ano passado. Fotografia: Kin Cheung/AP.
Sabalenka fazendo uma dança do TikTok com a americana Coco Gauff durante uma sessão de treino em Wimbledon no ano passado. Fotografia: Kin Cheung/AP.

Relembrando o episódio na França, a tenista riu da própria reação exagerada diante dos microfones e criticou as condições climáticas impostas pela organização do torneio na capital francesa.

“Eu esperei uma hora e meia antes de ir falar com a imprensa. Pensei comigo mesma: ‘Ok, já me acalmei, estou melhor’. Aí eu chego lá e digo: ‘Quero largar o tênis!’ (risos). Mas eu só disse a verdade. Como a organização deixa o teto aberto em condições insanas, com um vento que parecia um furacão? O jogo estava feio”, detalhou a líder do ranking da WTA ao periódico.

Durante a entrevista, ela comparou a frustração recente com a final do Grand Slam francês do ano passado, quando perdeu para a norte-americana Coco Gauff e declarou, de forma infeliz, que a adversária só havia vencido por conta de seus erros. Hoje, ela se arrepende profundamente da postura:

“Aquilo foi péssimo. Me senti muito maldosa. Esperei um tempo, mandei mensagem para a Coco pedindo desculpas e dizendo que a respeitava muito. Ela é uma menina incrível, entendeu a situação e hoje estamos bem, tanto que até gravamos dancinha juntas no TikTok depois para mostrar ao público que estava tudo zerado.”

— Aryna Sabalenka, em entrevista ao The Guardian.

“A culpa é do meu rosto eslavo”

Quem assiste à intensidade de Sabalenka em quadra — quebrando raquetes e disparando golpes impressionantes com a mesma velocidade do circuito masculino (seu forehand médio atinge a incrível marca de 128 km/h) — dificilmente imagina seu lado descontraído fora do circuito. Ela confessou que até as colegas de profissão se assustam em um primeiro momento, relembrando uma conversa curiosa com sua melhor amiga no circuito, a espanhola Paula Badosa.

“Quando nos conhecemos, eu olhei para ela e disse: ‘Nossa, eu achava que você era uma megera!’. E ela respondeu: ‘Eu também achava que você era!’. Aí percebemos que somos muito parecidas. Acho que é a postura que carregamos em quadra”, brincou a bielorrussa. A jogadora credita essa primeira impressão intimidadora à própria genética: “Quando as pessoas me veem pela primeira vez, provavelmente acham que sou antipática por causa do meu rosto eslavo. Não ajuda em nada. Quando estou andando séria, posso parecer muito agressiva. Mas quando você me conhece, percebe que eu só nasci com essa cara”.

Os gritos como válvula de escape e o luxuoso noivado

Ostentando no braço esquerdo a tatuagem de um tigre — símbolo do seu ano de nascimento e de sua mentalidade predadora no esporte —, Sabalenka explicou que seus famosos gritos de 100 decibéis e suas explosões são fundamentais para a manutenção de sua saúde mental. Ao contrário de lendas do passado como Björn Borg, que guardavam tudo para si, ela precisa transbordar: “Todo mundo diz que você precisa ser plana, controlar as emoções e não mostrar nada. Eu tentei fazer isso e percebi que estava me destruindo por dentro. É uma agressividade que coloco para fora para conseguir continuar lutando”.

Fora das quadras, o momento é de puro êxtase. Exibindo um impressionante anel de noivado de 12 quilates — avaliado em cerca de US$ 1 milhão e presenteado pelo empresário brasileiro Georgios Frangulis, fundador da Oakberry —, a tetracampeã de Grand Slam garantiu que o apagão em Paris é página virada e que o foco total agora está na grama de Londres.

“Roland Garros foi um tapa na cara. Não foi um ataque de pânico, eu só esqueci como se fazia tudo em quadra. Mas sou uma firme crente de que tudo acontece por um motivo. Às vezes, você só precisa levar um tapa na cara para acordar. Estou pronta para lutar em Wimbledon”, finalizou a estrela.

Wimbledon 2026: Sabalenka tem chave difícil

A número 1 do mundo, Aryna Sabalenka, estreia em Wimbledon em busca de seu primeiro título no torneio. Na primeira rodada, enfrenta a sérvia Teodora Kostovic, vinda do qualifying. Apesar da estreia teoricamente favorável, Sabalenka tem uma chave difícil e pode cruzar com campeãs de Grand Slam em várias fases da competição.

A partida está programa para a segunda-feira (29), não antes das 11h10, na quadra central do All England Club, em Londres. A ESPN e a Disney+ transmitem o torneio no Brasil.

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