A trajetória do alemão Alexander Zverev no topo do circuito mundial é um teste de fogo para a saúde mental de qualquer atleta. Dono de uma consistência invejável e figurando há anos no top 5 da ATP, “Sascha” entra em quadra neste domingo para decidir o título de Roland Garros 2026 carregando um fardo incômodo nos vestiários: o peso de ter batido na trave em suas três primeiras finais de major.
Para entender a pressão que o número 3 do mundo enfrenta na Philippe-Chatrier, é preciso relembrar os roteiros completamente distintos — e dolorosos — de suas decisões anteriores.
1. O roteiro mais doloroso: US Open 2020 (Nova York)
- Oponente: Dominic Thiem (Áustria)
- Placar final: Thiem venceu por 3 a 2 (2/6, 4/6, 6/4, 6/3 e 7/6)
Esta foi, sem dúvidas, a derrota mais difícil de digerir na carreira de Zverev. Em um Arthur Ashe Stadium completamente vazio devido às restrições da pandemia, o alemão entrou voando. Com um saque devastador, ele abriu 2 sets a 0 com extrema facilidade (6/2 e 6/4).
A partir do terceiro set, a tensão travou o braço de Sascha. Ele chegou a liderar a parcial por uma quebra e, no limite do drama, sacou para o campeonato no quinto set quando vencia por 5/3. O nervosismo resultou em duplas faltas cruciais, permitindo a reação heroica de um Thiem que mal conseguia andar em quadra devido às cãibras. No tie-break decisivo, o austríaco fechou em 7-5. Zverev ficou a apenas dois pontos da glória eterna.
2. A virada no saibro: Roland Garros 2024 (Paris)
- Oponente: Carlos Alcaraz (Espanha)
- Placar final: Alcaraz venceu por 3 a 2 (6/3, 2/6, 5/7, 6/1 e 6/2)
Quatro anos depois, totalmente recuperado da gravíssima lesão no tornozelo sofrida em 2022 neste mesmo palco, Zverev voltou à quadra Philippe-Chatrier para sua segunda final de major.
Foi uma montanha-russa emocional. Alcaraz começou melhor, mas Zverev reagiu e conseguiu virar o jogo, mostrando uma solidez impressionante do fundo de quadra para abrir 2 a 1 em sets. Quando o jejum parecia prestes a acabar, o espanhol elevou seu nível físico e tático de forma espetacular. Enquanto o aproveitamento de saque do alemão despencava no quarto e quinto sets, Alcaraz atropelou nas parciais finais, deixando Zverev com o seu segundo vice-campeonato em cinco sets.
3. A barreira italiana: Australian Open 2025 (Melbourne)
- Oponente: Jannik Sinner (Itália)
- Placar final: Sinner venceu por 3 a 0 (6/3, 7/6 e 6/3)
Na decisão do início do ano passado na Austrália, o cenário mudou. Não houve batalha de cinco sets ou chances desperdiçadas na linha de chegada. Zverev simplesmente cruzou o caminho de um rolo compressor: o número 1 do mundo, Jannik Sinner.
Desta vez, o alemão não teve brechas para controlar as ações. O ritmo imposto por Sinner no fundo de quadra foi sufocante. A única grande chance de Zverev esteve no segundo set, que foi decidido nos detalhes em um tie-break doloroso (7-4 para o italiano). Psiquicamente abatido após perder a parcial, o alemão desmoronou no terceiro set e, com muita honestidade na cerimônia de premiação, desabafou sobre a frustração de ser o “eterno segundo colocado” nos grandes palcos.
O peso da história a seu favor
Nota de bastidores: apesar do retrospecto de 0-3 em finais, a história do tênis joga a favor da persistência de Zverev. Lendas da era aberta como Andre Agassi (Wimbledon 1992), Goran Ivanišević (Wimbledon 2001) e o próprio Dominic Thiem (US Open 2020) precisaram amargar três vice-campeonatos antes de finalmente erguerem seu primeiro Grand Slam na quarta tentativa.
Se a história se repete, o domingo em Paris pode ser a redenção definitiva de Alexander Zverev.

