O sábado (06/06) foi de festa e consagração para o tênis brasileiro, mas se depender do novo dono do circuito juvenil, não há espaço para deslumbre. Na entrevista coletiva após derrotar o norte-americano Michael Antonius e conquistar a inédita taça no saibro de Paris, Guto Miguel fez questão de dividir os méritos com sua equipe e manter os pés firmemente fincados no chão.
“Acho que significa muito, com certeza, é fruto de muito trabalho duro. Eu e minha equipe nos dedicamos muito, não só nesta semana, mas há muitos, muitos anos. Então, acho que tudo vale a pena agora, sabe? Estou muito feliz, aproveitando o momento, mas mantenho a humildade porque ainda temos muito o que fazer.”
— Guto Miguel, novo número 1 do mundo da ITF.
Raio-X da coletiva: as declarações do campeão
Na entrevista oficial após erguer o troféu em Paris, o jovem goiano abordou três pilares fundamentais da sua conquista:
| Tema abordado | A visão de Guto Miguel |
|---|---|
| Grandes inspirações | Cresceu assistindo a Novak Djokovic, mas revelou ser grande fã do compatriota João Fonseca atualmente. |
| Estratégia e nervos | Admitiu dificuldade inicial contra a solidez de Antonius, precisou conter o ímpeto dos winners e sentiu a tensão especial ao sacar para fechar. |
| Energia da torcida | Declarou que ama jogar com o apoio do público brasileiro e usou essa atmosfera como combustível. |
De Djokovic a João Fonseca: as inspirações do campeão
Ao ser perguntado sobre os espelhos que moldaram seu estilo de jogo agressivo e inteligente, Guto misturou a idolatria internacional com o orgulho da nova geração nacional. O goiano revelou que cresceu assistindo a Novak Djokovic, mas que hoje sua grande referência é um compatriota.
“Quando eu era criança, sempre assistia ao Djokovic jogar, mas agora sou muito fã do João Fonseca. O que ele está fazendo é incrível”, ponderou o juvenil, conectando seu feito à grande semana que Fonseca também viveu no circuito profissional francês. “O Brasil tem uma história incrível aqui em Roland Garros, o que Guga fez e o que Fonseca fez esta semana. Agora acho que fiz um pouco mais pelo Brasil, que está vivendo um bom momento novamente. Todos os jogadores estão crescendo juntos, isso é ótimo.”
Os nervos da final e a conexão com a torcida
Ao analisar a grande decisão contra Michael Antonius, Guto admitiu que o início da partida exigiu ajustes rápidos de estratégia nos bastidores para cansar o sólido rival.
“Michael é um jogador grande e sólido, que chegou na final e também estava com confiança. No início da partida eu estava tentando intimidá-lo um pouco, tentando acertar golpes vencedores ou algo assim, mas ele estava muito sólido. Foi um pouco difícil controlar a situação”, explicou o goiano. “Mas em algum momento da partida acho que meu nível de jogo melhorou. E aproveitei as oportunidades que tive. E fechar o jogo não foi nada fácil, sabe? Sempre fica uma sensação diferente, uma sensação especial no coração.”
Para superar a tensão natural de sacar para o título, o tenista de 17 anos revelou que usou o barulho das arquibancadas como combustível. “Sou o tipo de jogador que gosta de jogar com a torcida brasileira, que sempre me apoia muito e eu gosto de aproveitar essa energia. Então, só quero agradecer a todos que torceram por mim hoje. A atmosfera estava incrível, com certeza não vou esquecer esse dia”, finalizou o grande campeão de Roland Garros.

