A sexta-feira (05/06) entrou para a história do esporte nacional. Chegando a Paris com o peso de ser o cabeça de chave número 1 do torneio, o goiano Guto Miguel justificou todo o favoritismo e o hype ao redor do seu nome. Em um jogo eletrizante, ele superou o mato-grossense Leonardo Storck com parciais de 6/1, 3/6 e 6/2, vencendo a primeira semifinal 100% brasileira da história da chave juvenil de um Grand Slam.
Mas o grande destaque do dia ficou por conta do lado psicológico do novo ídolo nacional. Após vencer o primeiro set com facilidade e sofrer o empate no segundo, Guto se viu em um perigoso “buraco” de 0/2 no set decisivo. Foi então que ele ligou o modo imbatível: venceu seis games consecutivos para atropelar o compatriota e selar a vaga.
“Fui forte mentalmente para voltar para o jogo. Nas outras partidas não me senti tão bem fisicamente, mas a chave foi continuar acreditando e permanecer na luta. Desde o começo do ano Roland Garros era um objetivo e um sonho. E ainda não acabou.”
— Guto Miguel, em entrevista à ESPN.
Os bastidores de uma batalha entre amigos
O confronto contra Leo Storck carregava um peso emocional enorme nos bastidores. Guto revelou que os dois realizaram a pré-temporada juntos antes de desembarcarem em Paris, discutindo abertamente as fraquezas um do outro.
“Foi um jogo muito difícil. O placar do primeiro set não mostra o que realmente foi a partida. É até engraçado, porque fizemos a pré-temporada juntos, conversando sobre o que precisávamos melhorar. O Léo fez uma grande semana e estou muito feliz por ter conseguido sair com a vitória hoje”, contou o finalista, demonstrando enorme respeito pelo colega de circuito.
A matemática do topo: Guto é o novo rei da ITF
A vitória na semifinal teve sabor duplo. Com os pontos alcançados pela classificação e a eliminação do norte-americano Keaton Hance na outra chave, Guto Miguel assegurou matematicamente o posto de número 1 do mundo no ranking mundial juvenil da ITF.
O brasileiro alcançará 2.927 pontos, ultrapassando o búlgaro Ivan Ivanov (que não jogou o torneio). Com isso, o goiano entra para uma lista extremamente seleta de brasileiros que chegaram ao topo do mundo na base, juntando-se a:
- Tiago Fernandes (2010)
- Orlando Luz (2015)
- João Fonseca (2023)
O peso da história e o duelo pela taça inédita
Neste sábado, por volta das 9h (horário de Brasília), Guto Miguel não lutará apenas pelo troféu, mas contra os livros de história. O Brasil não disputava uma final de simples juvenil em Roland Garros há absurdos 59 anos (desde Luis Felipe Tavares, em 1967). Nomes lendários como Edison Mandarino (1959) e Thomaz Koch (1962 e 1963) também bateram na trave em Paris, o que significa que o título de Guto seria totalmente inédito para o país.
| Destaques da final | Detalhes do confronto |
|---|---|
| O adversário | Michael Antonius (EUA), cabeça de chave número 13. |
| Confronto direto (H2H) | Antonius lidera o histórico com uma vitória no único duelo prévio entre eles. |
| Jejum brasileiro | O Brasil busca um título inédito de simples masculino juvenil em Paris após 59 anos fora da final. |
| Status de Guto | Independente do resultado, já é o novo número 1 do mundo no ranking juvenil da ITF. |
O palco está montado para a maior revanche da carreira de Guto. O Brasil inteiro estará acordado para empurrar o novo número 1 do mundo rumo à glória eterna no saibro francês.

