O clima na sala de imprensa de Roland Garros foi de absoluto funeral e espanto. Poucas horas após derreter em quadra e ver sua vaga na semifinal escapar diante da russa Diana Shnaider (24ª colocada), a líder do ranking mundial, Aryna Sabalenka, abriu o peito em uma entrevista divulgada pelo site Tennis Majors e soltou uma frase que ecoou fortemente nos bastidores do tênis:
“Sem pensamentos, sem emoção. Eu quero abandonar o tênis agora mesmo. Vamos ver em alguns dias. Espero que eu consiga voltar aos trilhos mentalmente.”
— Aryna Sabalenka, em choque após a derrota por 3/6, 7/5 e 6/0.
A bielorrussa, que ostentava o status de única campeã de Grand Slam sobrevivente no torneio feminino, admitiu não se lembrar de quando havia sofrido um apagão tão severo na carreira. “Não sei quando foi a última vez que isso aconteceu comigo, de perder dez games seguidos. Acho que mentalmente entrei num buraco muito, muito profundo e escuro, e simplesmente não consegui me recuperar”, confessou.
Raio-x do apagão
| Momento do Jogo | O que aconteceu em quadra |
|---|---|
| Início do confronto | Sabalenka vence o 1º set por 6/3 e abre sólida vantagem de 4/1 na segunda parcial. |
| A virada de Shnaider | A russa quebra o serviço de Sabalenka quando esta sacava para o jogo em 5/4 e fecha o set em 7/5. |
| O colapso mental | Sabalenka sofre um apagão histórico, perde 10 games seguidos e leva um “pneu” (6/0) no 3º set. |
Críticas à organização: tratamento diferente entre homens e mulheres?
Em meio ao desabafo sobre seu colapso mental, Sabalenka também direcionou fortes críticas às decisões da organização de Roland Garros a respeito do teto retrátil da quadra principal. O forte vento que atingiu Paris deixou as condições de jogo caóticas, algo que a tenista classificou como um espetáculo “sujo”.
“Não sei por que manteriam o teto aberto com um vento tão forte. Mas como posso reclamar se durante quase toda a partida tudo estava funcionando bem para mi, e de repente tudo desmoronou? Acho que a situação estava ficando caótica, talvez porque eu não estivesse bem mentalmente. Lembro que até no ano passado eles mantiveram o teto aberto para nós, e no dia seguinte, em condições semelhantes, fecharam para os homens – para melhorar as condições e a qualidade do tênis, acredito. Não sei por que o manteriam aberto. Mesmo eu estando ganhando, o jogo estava muito sujo. Não sei como as pessoas conseguiam ficar sentadas assistindo”, disparou a número 1 do mundo.
Méritos da rival e “terapia de choque” para dar a volta por cima
Apesar das reclamações climáticas e da óbvia frustração com seus próprios erros, Sabalenka não tirou os méritos de Diana Shnaider, ressaltando que a russa aproveitou as brechas para jogar de forma agressiva, livre e destemida sob pressão. “A Shnaider está em ótima forma, jogando um tênis excelente”, elogiou.
Demonstrando a resiliência que a consagrou no topo do esporte, a experiente jogadora garantiu que vai tirar lições do sofrimento: “Acho que o que não nos mata nos fortalece. Em algum momento, vou entender a situação e voltaremos mais fortes”.
E para acelerar esse processo de cura mental, Sabalenka revelou um plano imediato bastante inusitado para o seu dia seguinte em Paris:
“Acabei de descobrir como posso superar isso: uma daquelas salas onde você entra e destrói tudo. Provavelmente passarei o dia inteiro amanhã lá destruindo coisas. Talvez ajude, talvez não.”
— Aryna Sabalenka.

