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Kostyuk solta o verbo contra tenistas russas antes de semifinal com Andreeva

Após avançar às semifinais em Paris, Marta Kostyuk rebateu desculpas sobre o silêncio de atletas russas e aumentou drasticamente a tensão para o jogo contra Mirra Andreeva.

Se o ex-número 1 do mundo Yevgeny Kafelnikov previu que a semifinal de Roland Garros entre a ucraniana Marta Kostyuk e a russa Mirra Andreeva bateria recordes de audiência por “vários motivos”, a própria Kostyuk tratou de deixar esses motivos bem explícitos.

Logo após derrotar sua compatriota Elina Svitolina por 6/3, 3/6 e 6/2 na quadra Philippe-Chatrier, a atual número 15 do mundo transformou sua entrevista coletiva em um manifesto político, elevando a rivalidade de bastidores ao nível máximo.

Emoção em quadra e homenagem a Kiev

O tom do dia já havia sido ditado ainda dentro de quadra. Visivelmente emocionada, Kostyuk dedicou a vitória histórica sobre Svitolina ao povo de seu país, que enfrentou mais uma madrugada de bombardeios violentos.

“Primeiro, quero começar com este jogo histórico que joguei hoje com a Elina. Tivemos uma noite muito difícil novamente na Ucrânia, especialmente em Kiev. Tantas pessoas mortas… Quero dedicar esta partida ao povo ucraniano e à sua resiliência. Obrigada. Slava Ukraini (Glória à Ucrânia).”

— Marta Kostyuk, na entrevista pós-jogo.

O ataque direto na coletiva: “Nada as impede de falar”

A verdadeira bomba, contudo, veio na sala de imprensa. Questionada por um jornalista se conseguia entender o receio de algumas tenistas russas em falar abertamente contra a guerra por medo de sofrerem retaliações do governo de Vladimir Putin, Kostyuk foi implacável e rebateu o argumento.

A ucraniana pontuou dois fatores principais sobre a situação das atletas:

  • Figuras públicas: Lembrou que existem personalidades russas que abandonaram o país e venderam seus negócios em sinal de protesto.
  • Residência no exterior: Enfatizou que a maioria das jogadoras da WTA não fixa residência em território russo, o que as deixaria seguras para opinar.

“A maioria das jogadoras de tênis não mora na Rússia. Não há nada que impeça você de falar se isso for algo em que você realmente não acredita. Claramente, elas simplesmente não pensam dessa forma (contra a guerra).”

— Marta Kostyuk, detonando a postura das rivais.

Com essa declaração, Kostyuk expôs o que muitos nos bastidores evitam comentar: para ela, o silêncio das atletas russas não é fruto de medo, mas sim de conivência ou indiferença.

Kostyuk x Andreeva: pura tensão na semifinal de final

A fala de Kostyuk joga uma pressão monumental sobre os ombros de Mirra Andreeva, atual número 8 do mundo e principal atleta russa do circuito na atualidade. As duas se enfrentam nesta quinta-feira por uma vaga inédita na grande final de Roland Garros.

Como já é tradição em seus jogos contra atletas da Rússia e da Bielorrússia, Kostyuk não estenderá a mão para cumprimentar Andreeva na rede, independentemente do resultado. O duelo técnico no saibro agora dividirá as atenções com uma das atmosferas geopolíticas mais tensas da história do tênis moderno.

O retrospecto recente joga totalmente a favor da ucraniana. Kostyuk venceu os dois confrontos que disputou contra Andreeva nesta temporada: o primeiro em Brisbane e o mais recente na grande final do WTA 1000 de Madri.

Marta Kostyuk joga o fino, elimina Svitolina e alcança semifinal inédita em Roland Garros

Gabriel Lima
Gabriel Lima
Gabriel Lima é jornalista formado pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e soma 15 anos de experiência na crônica esportiva. Com um currículo que inclui coberturas internacionais de peso, como o Pan de Santiago 2023 e as Olimpíadas da Juventude de 2018, Gabriel alia o rigor da apuração acadêmica à agilidade exigida pelo jornalismo de campo. Apaixonado por histórias de superação e bastidores do esporte.

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