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Royer reclama de Djokovic após derrota em Paris

A frustração de Valentin Royer em Paris expõe uma tática antiga: pedidos de atendimento no momento certo, pausas demoradas e o jogo mental que transformou Djokovic no maior estrategista do tênis.

A segunda rodada de Roland Garros foi palco de um duelo intenso e de muita força mental. O francês Valentin Royer, atual número 74 do mundo, despediu-se do torneio após uma batalha de quatro sets contra ninguém menos que Novak Djokovic, atual número quatro do ranking e dono de 24 títulos de Grand Slam. Apesar do esforço de Royer, o sérvio fechou a partida com parciais de 6/3, 6/2, 6/7 (9/7) e 6/3.

No entanto, o que chamou a atenção na entrevista coletiva pós-jogo não foi apenas o resultado, mas sim as declarações de Royer sobre a postura de Djokovic em quadra. O jovem francês não hesitou em apontar a famosa “catimba” (o jogo psicológico e a quebra de ritmo) praticada pelo veterano.

“Eu o vi reclamando um pouco e se alongando, mas isso é o Novak. Ele faz isso em geral para tentar ver como o adversário vai reagir”, revelou Royer, mostrando que, embora incomodado, já conhecia a fama do adversário.

O histórico de “catimba” de Djokovic

A reclamação de Royer está longe de ser um caso isolado no circuito da ATP. Ao longo de sua vitoriosa e por vezes polêmica carreira, Djokovic foi repetidamente acusado por adversários e críticos de usar táticas de distração — como pedidos de atendimento médico (MTO) em momentos cruciais, idas demoradas ao banheiro ou excesso de quiques na bola antes do saque — para esfriar os oponentes quando está em desvantagem.

Relembre outros episódios marcantes em que o sérvio foi acusado de “enrolar” para vencer:

  • A “pausa para o banheiro” contra Tsitsipas (Roland Garros 2021): na grande final, Stefanos Tsitsipas vencia por 2 sets a 0 e dominava a partida. Djokovic saiu de quadra para uma longa pausa no vestiário. Ao retornar, o ritmo do jogo mudou drasticamente, e o sérvio virou a partida de forma avassaladora para herdar o título.
  • O desabafo de Carreño Busta (Roland Garros 2020): Nas quartas de final, após perder o primeiro set para o espanhol Pablo Carreño Busta, Djokovic começou a pedir atendimento para o ombro e o pescoço. Carreño Busta não escondeu a frustração após a derrota: “Sempre que o jogo fica complicado para ele, ele pede atendimento. Não sei se é algo crônico ou apenas psicológico, mas ele faz isso há anos“.
  • A Polêmica com Wawrinka (US Open 2016): na final do torneio americano, Stan Wawrinka liderava e tinha o momento do jogo a seu favor no quarto set. Djokovic solicitou um atendimento médico para tratar bolhas nos pés justamente no momento em que o suíço se preparava para sacar. Wawrinka reclamou abertamente com o árbitro de cadeira sobre o timing do pedido.
  • O “teatro” contra Andy Murray (Australian Open 2015): durante a final em Melbourne, Djokovic parecia fisicamente destruído no início do terceiro set, mancando e demonstrando extrema exaustão. Murray se desconcentrou, acreditando que o rival estava prestes a desistir. Poucos games depois, Djokovic se recuperou milagrosamente, correu como nunca e aplicou um pneu (6/0) no set decisivo. Murray admitiu mais tarde que se deixou levar pelas aparências físicas do rival.

Análise Site do Tênis

O comportamento de Djokovic não viola as regras estritas do tênis, mas caminha em uma linha tênue da ética esportiva. O que tenistas mais jovens como Valentin Royer enfrentam em quadra vai muito além do tênis técnico e tático: é um verdadeiro teste de resiliência mental contra um dos maiores estrategistas que o esporte já viu.

Gabriel Lima
Gabriel Lima
Gabriel Lima é jornalista formado pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e soma 15 anos de experiência na crônica esportiva. Com um currículo que inclui coberturas internacionais de peso, como o Pan de Santiago 2023 e as Olimpíadas da Juventude de 2018, Gabriel alia o rigor da apuração acadêmica à agilidade exigida pelo jornalismo de campo. Apaixonado por histórias de superação e bastidores do esporte.

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