O que deveria ser apenas a estreia de uma das tenistas mais promissoras do circuito em Roland Garros transformou-se em um ato de resiliência extrema. A ucraniana Marta Kostyuk, número 15 do mundo, não apenas garantiu sua 13ª vitória consecutiva ao superar a russa Oksana Selekhmeteva por 6/2 e 6/3, como também revelou o drama pessoal que quase a impediu de entrar em quadra.
Horas antes do duelo, a tenista de 23 anos recebeu a notícia de que um míssil havia atingido um edifício a meros 100 metros da casa de sua família na Ucrânia. O trauma, que testou o limite psicológico da atleta, tornou a partida deste domingo uma das mais desafiadoras de sua carreira.
O triunfo da superação
Em entrevista ainda na quadra, visivelmente emocionada, Kostyuk não escondeu a turbulência emocional que viveu. “Estou incrivelmente orgulhosa de mim mesma hoje. Foi uma das partidas mais difíceis da minha vida. Eu não sabia como iria lidar com isso, nem como a partida se desenrolaria”, desabafou a ucraniana, que desde o início da guerra tem usado o tênis como um símbolo de resistência.
Apesar da instabilidade mental evidente, a tenista mostrou frieza técnica. Mesmo com um aproveitamento de apenas 49% no primeiro serviço e cinco duplas faltas, Kostyuk dominou o confronto com agressividade, disparando 20 winners contra apenas quatro de sua adversária. A ucraniana foi implacável nas chances de quebra, convertendo seis das 13 oportunidades criadas.
Invencibilidade em xeque
A sequência invicta de 13 jogos coloca Kostyuk como uma das principais forças do tênis feminino atual. O ciclo vitorioso começou na Billie Jean King Cup, passou pelo título do WTA 250 de Rouen e atingiu seu auge com a conquista inédita do WTA 1000 de Madri.
Após uma pausa estratégica de três semanas, longe de torneios como Roma e Estrasburgo, ela chegou a Paris provando que sua forma física e mental está em um patamar superior.
Agora, o desafio de Kostyuk cresce. Na próxima rodada, ela encara a norte-americana Katie Volynets, que vem embalada após eliminar a francesa Clara Burel com uma vitória contundente por 6/3 e 6/1. Resta saber se o embalo psicológico de Kostyuk será suficiente para manter vivo o sonho do título em Roland Garros diante de tantas adversidades.

