Às vésperas do início de Roland Garros 2026, a número 1 do mundo, Aryna Sabalenka, disparou críticas severas contra a organização do torneio. A bielorrussa afirmou categoricamente que os jogadores cogitam um boicote ao Grand Slam caso não ocorram avanços reais nas negociações por uma premiação mais justa.
A insatisfação não é isolada. Sabalenka faz parte de um grupo de elite que emitiu um comunicado oficial nesta semana, exigindo uma revisão profunda na divisão de receitas do tênis.
“Única maneira”: o plano dos atletas contra a desigualdade
Em declarações recentes, Sabalenka não mediu palavras. Para a tenista, a união dos jogadores é a ferramenta mais forte para forçar mudanças estruturais no circuito da ATP e WTA.
“Vamos ver até onde podemos chegar. Se o apoio dos jogadores for necessário para o boicote, acho que podemos facilmente nos unir e apoiá-lo hoje, porque algumas coisas me parecem muito injustas”, afirmou a líder do ranking.
Segundo ela, o boicote é visto como a “única maneira” de garantir que os protagonistas do espetáculo — os atletas — recebam uma fatia condizente com o entretenimento que geram.
Comparativo: a premiação de Roland Garros vs outros Grand Slams
Apesar de Paris ter anunciado um aumento de 9,53% no montante total (chegando a 61,7 milhões de euros ou R$ 363 milhões), os números ainda deixam o torneio na lanterna entre os quatro principais do mundo.
Confira a disparidade de valores entre os Grand Slams 2025/2026:
| Torneio | Premiação Total (Conversão Aproximada) |
| US Open 2025 | R$ 520 milhões ($ 90 milhões) |
| Australian Open 2026 | R$ 396 milhões ($AU 111,5 milhões) |
| Roland Garros 2026 | R$ 363 milhões (€ 61,7 milhões) |
| Wimbledon | R$ 360 milhões (£ 53,5 milhões) |
Nota: Valores convertidos com base nas cotações citadas pelos órgãos oficiais do circuito.
O argumento dos jogadores: o entretenimento depende dos atletas
O ponto central da discussão não é apenas o valor bruto, mas a porcentagem da receita total do evento que é repassada aos competidores. Sabalenka enfatizou que o torneio é, acima de tudo, um produto comercial que não existe sem os nomes de peso em quadra.
“Sem os jogadores, não haveria competição nem entretenimento. É justo que tenhamos uma parcela maior da receita”, completou a tenista.
O clima de tensão deve atingir o ápice nos próximos dias. Está prevista uma reunião de emergência entre representantes dos jogadores e os organizadores do Grand Slam francês. A expectativa é que um acordo seja selado antes da chave principal começar, evitando uma debandada que prejudicaria os direitos de transmissão e o público global.


