HomeATP"Não queria ter rivais", confessa Federer em novo documentário sobre o topo da ATP

“Não queria ter rivais”, confessa Federer em novo documentário sobre o topo da ATP

Em nova série documental da ATP, Roger Federer abre o coração sobre o choque inicial com a ascensão de Rafael Nadal e revela como precisou reajustar seu jogo e seu orgulho para aceitar o rival.

RESUMO DA NOTÍCIA
  • Série Inédita: A ATP lançou o documentário «ACES: O clube dos n.º 1 ATP», dissecando a mentalidade dos 29 tenistas que já lideraram o ranking.
  • O Monopólio Suíço: Roger Federer confessou que, ao assumir o topo em 2004, seu objetivo era reinar sozinho, sem precisar lidar com grandes rivais.
  • A Chegada do Touro: A ascensão de Rafael Nadal forçou o suíço a mudar de mentalidade, aceitar o desafio e evoluir seu próprio jogo para sobreviver à nova era.

A história do tênis mudou para sempre na década de 2000, mas os bastidores dessa transformação continuam rendendo revelações fascinantes. Às vésperas do início de Wimbledon, a ATP lançou uma série documental inédita intitulada “ACES: O clube dos n.º 1 ATP”. A obra foi criada para destrinchar a mentalidade do seleto grupo de apenas 29 jogadores que conseguiram atingir o topo do ranking mundial masculino desde a sua criação, em 1973.

Um dos episódios mais aguardados pelos fãs mergulha fundo na transição de eras comandada por Roger Federer e Rafael Nadal. No documentário, o gênio suíço fez uma confissão surpreendente e extremamente sincera sobre a forma como encarava o circuito quando assumiu a liderança do ranking pela primeira vez, no distante ano de 2004.

Federer ainda detém o recorde absoluto de maior número de semanas consecutivas no topo do ranking mundial da ATP (237 semanas ininterruptas). No entanto, o ex-atleta admitiu que sua intenção inicial era estender esse domínio de forma solitária, sem precisar dividir os holofotes com outros talentos geracionais.

“Quando me tornei n.º 1 em 2004, não queria ter rivais. Queria simplesmente ser o melhor, e depois havia o resto.”

— Roger Federer, revelando seu lado mais competitivo e humano.

O choque de realidade e a adaptação ao “Touro”

O ambicioso plano de dominância total sofreu um forte abalo com a chegada meteórica de um jovem espanhol canhoto, inicialmente visto como um especialista em saibro, mas que rapidamente aprendeu a dominar os outros pisos. Rafael Nadal iniciou uma caçada implacável que culminou no ano de 2008, quando o espanhol finalmente destronou o suíço da cobiçada primeira colocação mundial.

Federer relembrou o processo interno e doloroso de amadurecimento que precisou enfrentar para não ser engolido pela frustração diante de um adversário formidável: “Quando o Rafa chegou à ribalta, tive de apreciar o rival que ele se tornaria e que estaria ali por muito tempo. Que ganharia cada vez mais e estaria presente. Tive de perceber que tinha de ajustar o meu jogo por causa dele, tive de o aceitar”, detalhou o dono de 20 títulos de Grand Slam na produção da ATP.

Essa aceitação forçada não apenas elevou o nível técnico e físico do próprio Federer, como pavimentou o caminho para a posterior chegada do sérvio Novak Djokovic. Juntos, os três formaram o icônico Big 3 (o trio dominante do tênis moderno), transformando o que seria o monólogo desejado pelo suíço em uma das eras douradas mais ricas, competitivas e marcantes da história de qualquer esporte no mundo.

+Notícias