HomeWTAMarta Kostyuk fala sobre guerra na Ucrânia, saúde mental e o melhor momento da carreira na WTA

Marta Kostyuk fala sobre guerra na Ucrânia, saúde mental e o melhor momento da carreira na WTA

No ápice de sua carreira em 2026, a tenista ucraniana revela as táticas para proteger sua saúde mental da "culpa do sobrevivente" e o peso de carregar a voz de um país em conflito no circuito mundial.

No ápice da carreira, Marta Kostyuk desabafa sobre o peso de conciliar o sucesso no tênis com a guerra na Ucrânia

RESUMO DA NOTÍCIA
  • O melhor momento: Atual número 12 do mundo, Marta Kostyuk vive sua melhor temporada, com títulos importantes e semifinais em Grand Slam.
  • O peso emocional: A ucraniana sofre com a “culpa do sobrevivente” e os impactos na saúde mental devido aos ataques contínuos da Rússia ao seu país natal.
  • Voz ativa: Em vez de fugir da pressão, Kostyuk usa a visibilidade de suas vitórias para manter viva a conscientização sobre a guerra.

A ucraniana Marta Kostyuk vive, estatisticamente, o ápice de sua carreira profissional. Atual número 12 do ranking mundial e com uma temporada brilhante — que inclui os títulos do WTA 1000 de Madri e do 250 de Rouen, além das semifinais em Roland Garros —, a tenista de 23 anos divide os holofotes do sucesso com uma realidade sombria: os efeitos contínuos da guerra em seu país.

Em entrevista concedida ao site Clay Tennis, Kostyuk desabafou de forma transparente sobre a enorme complexidade de conciliar o melhor momento de sua profissão com o drama vivido por sua nação frente aos ataques perpetrados pela Rússia desde 2022.

“Com o passar dos anos, eu mudo, cresço, as coisas mudam, mas a guerra continua. Porém, a responsabilidade não desaparece. Quem nunca viveu uma guerra dentro de casa não consegue compreender plenamente o que isso significa.”

— Marta Kostyuk, sobre a dificuldade de explicar o sentimento ao restante do circuito.

A “Culpa do sobrevivente” e a saúde mental

Durante a última edição de Roland Garros, a tensão transbordou de maneira evidente. Logo após sua estreia, Kostyuk chegou a exibir aos jornalistas a foto de um míssil que caiu muito próximo à residência de seus familiares. A exposição contínua ao perigo e ao sofrimento de seus compatriotas cobrou um preço alto à saúde mental da atleta, gerando uma espécie de culpa por estar em segurança enquanto sua família seguia na zona de conflito.

“Em determinado momento, eu estava tão focada na guerra que sentia que, se não lesse as notícias ou não estivesse ansiosa, de alguma forma estaria traindo minha família e as pessoas que estavam lá”, lamentou a jogadora.

Para conseguir recuperar o foco em sua profissão e proteger seu bem-estar psicológico, a ucraniana precisou adotar medidas drásticas em sua rotina. No ano passado, ela tomou a difícil decisão de desativar as notificações do celular. “Precisei dizer a mim mesma: ‘estou aqui agora. Não estou em perigo. Posso tomar decisões com clareza’. Não é possível ficar exposta a tudo isso o tempo todo quando você não está no meio daquela realidade”, avaliou.

RAIO-X
A Glória Esportiva (O Ápice) O Desafio Pessoal (A Guerra)
Posição consolidada no Top 15 (Atual 12ª do mundo). Luta constante contra a “culpa do sobrevivente” por estar em segurança.
Títulos expressivos conquistados no WTA 1000 de Madri e no 250 de Rouen. Desgaste mental devido à exposição contínua a notícias e proximidade de mísseis na casa de familiares.
Campanha histórica até as semifinais do Grand Slam de Roland Garros. Necessidade de isolamento digital (desativar notificações) para conseguir performar em quadra.

A visibilidade a favor da conscientização

Totalmente engajada na missão de mostrar ao mundo que a guerra não deve ser normalizada ou esquecida, Kostyuk encara a enorme visibilidade gerada por suas vitórias na atual temporada como uma plataforma ativa para manter o debate político e humanitário vivo. Longe de fugir da pressão que acompanha esse ativismo, a tenista assume a linha de frente de forma consciente.

“Às vezes é difícil levantar a voz quando você carrega um tema tão pesado. Mas isso também me ensinou muito sobre quem eu sou. Toda situação de estresse revela algo sobre você e a forma como reage. Tentei usar tudo isso como uma maneira de crescer. Acho que é um bom desafio para mim, não me incomoda carregar essa responsabilidade”, concluiu a campeã de Madri, provando que sua resiliência vai muito além das linhas da quadra de tênis.

+Notícias