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Fim do sonho em Paris: Victória Barros sofre com erros e cai na semi de Roland Garros

A brasileira de 16 anos lutou contra o excesso de erros não forçados, parou na consistência da número 2 do mundo, Xinran Sun, mas sai de Paris com campanha histórica

A incrível jornada de Victória Barros no saibro francês chegou ao fim. Na manhã desta sexta-feira, a potiguar de 16 anos entrou em quadra buscando dar um passo além do recorde nacional na chave juvenil, mas acabou superada pela sólida chinesa Xinran Sun, atual número 2 do mundo e segunda cabeça de chave do torneio, por 2 sets a 0, com parciais de 6/2 e 6/3, em apenas 73 minutos de partida.

O principal calcanhar de Aquiles da brasileira na semifinal foi a falta de consistência. Nervosa com a magnitude do confronto na quadra Philippe Chatrier, a terceira favorita do torneio distribuiu muitos pontos de graça e terminou o jogo com o dobro de erros não forçados em relação à adversária, o que impediu qualquer reação duradoura.

Estatísticas do confronto:

Fundamento Técnico Victória Barros (BRA) Xinran Sun (CHN)
Placar Final 2/6, 3/6 6/2, 6/3
Erros Não Forçados 36 18
Bolas Vencedoras (Winners) 17 16
Tempo de Partida 73 minutos

O confronto: tensão inicial e domínio de base

O início da partida deu o tom do que seria o duelo. Mostrando muita rigidez nos golpes e nítida tensão pelo momento, Victória demorou a se estabilizar e assistiu Sun ditar o ritmo no fundo de quadra para abrir um indigesto 4/0. A brasileira até tentou reagir, confirmou saques e buscou uma quebra, mas encerrou a primeira parcial acumulando assustadores 21 erros não forçados (contra apenas nove da chinesa).

No segundo set, a potiguar mudou a estratégia. Buscando maiores variações de altura e peso, Victória reagiu rápido e abriu 2/0. No entanto, a qualidade no jogo de base de Xinran Sun voltou a aparecer. A chinesa virou para 3/2 e, embora a brasileira tenha empatado em 3/3, a número 2 do mundo aprofundou as bolas, variou com curtinhas milimétricas e venceu três games seguidos para liquidar o confronto. No fim, a agressividade de Victória se traduziu em apenas um winner a mais, saldo insuficiente para compensar as falhas.

Campanha histórica

Apesar do gosto amargo da eliminação na boca, o saldo de Victória Barros em Paris é amplamente positivo. Ao alcançar o top 4, ela igualou a marca lendária de Andrea “Dadá” Vieira em 1987, mantendo-se no panteão das maiores campanhas do país no Grand Slam francês ao lado de nomes como Gisele Miró (quartas em 1986) e Niege Dias (quartas em 1984).

O tabu continua: O tênis brasileiro de simples feminino juvenil nunca teve uma finalista na história de Roland Garros — a única a decidir um título em Paris foi Bia Haddad Maia, mas na chave de duplas (com os vice-campeonatos de 2012 e 2013).

A atenção da torcida brasileira agora se volta imediatamente para a chave masculina juvenil de Roland Garros, onde os compatriotas Guto Miguel e Leo Storck duelam na outra semifinal para garantir um tenista do país na grande decisão em Paris.

Gabriel Lima
Gabriel Lima
Gabriel Lima é jornalista formado pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e soma 15 anos de experiência na crônica esportiva. Com um currículo que inclui coberturas internacionais de peso, como o Pan de Santiago 2023 e as Olimpíadas da Juventude de 2018, Gabriel alia o rigor da apuração acadêmica à agilidade exigida pelo jornalismo de campo. Apaixonado por histórias de superação e bastidores do esporte.

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