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Por que Roland Garros insiste em “esconder” o tênis feminino à noite?

Com base em um levantamento da BBC UK, as principais estrelas da WTA cobram igualdade na programação do Grand Slam francês após 32 sessões consecutivas de horário nobre serem destinadas exclusivamente aos homens.

Uma questão incômoda e recorrente continua ecoando com força pelos corredores de Paris: por que as principais jogadoras do planeta foram completamente limadas do cobiçado horário noturno do Grand Slam francês?

Segundo informações apuradas originalmente pelo jornalista Jonathan Jurejko, da BBC UK, cada uma das últimas 32 sessões de primetime — criadas especificamente para registrar os picos de audiência na TV e streaming — foi alocada exclusivamente para a chave masculina.

Na prática, nenhuma partida da WTA é exibida sob os refletores parisienses no horário nobre desde a edição de 2023. O cenário é tão gritante que a tetracampeã de Grand Slam, Naomi Osaka, desabafou dizendo que “sequer associa” Roland Garros a jogos noturnos.

Os números levantados pela BBC UK revelam que a disparidade não é uma coincidência, mas sim um padrão adotado pela organização do torneio desde que o formato de jogo único noturno foi implementado em 2021 na Quadra Philippe Chatrier: desde 2021, apenas quatro jogos femininos ocorreram na sessão noturna, de 56 partidas disputadas.

2021

  • ​Serena Williams x Irina-Camelia Begu: 7–6(6), 6–2
  • ​Iga Świątek x Marta Kostyuk: 6–3, 6–4

​2022

  • Alizé Cornet x Jelena Ostapenko: 6–0, 1–6, 6–3

​2023

  • Aryna Sabalenka x Sloane Stephens: 7–6(5), 6–4

Tenistas criticam a exclusão

As jogadoras decidiram quebrar o silêncio e as críticas públicas contra a Federação Francesa de Tênis (FFT) estão subindo de tom:

  • Jessica Pegula (Nº 5 do mundo): desabafou que discutir o cronograma com os diretores do torneio traz a sensação de “estar batendo a cabeça contra a parede“.
  • Ons Jabeur (Duas vezes finalista de Major): foi ainda mais ácida na crítica, questionando publicamente se os executivos responsáveis pelo agendamento das quadras “tinham filhas em casa”.
  • Jelena Ostapenko (Campeã de 2017): Explicou à BBC UK o quanto o circuito sai prejudicado comercialmente com essa decisão.

“Eu gostaria que o tênis feminino fosse mais mostrado nesses horários. Os homens sempre têm prioridade na programação, ficam com os horários mais populares e nas quadras principais. Eu adoro jogar à noite, com o estádio lotado. Sou o tipo de jogadora que se diverte quando há muitos torcedores assistindo, e acho que é para isso que todos nós jogamos.”, Jelena Ostapenko, em entrevista à BBC Sport.

A justificativa de Roland Garros

Para se defender das acusações, a organização do Grand Slam se apoia no quesito financeiro e na “entrega de entretenimento”. Como os homens jogam em melhor de 5 sets, as partidas teoricamente duram mais, o que justificaria o valor salgado dos ingressos vendidos separadamente para a sessão da noite.

Por outro lado, as atletas argumentam que, sem a exposição nos horários de maior audiência, o tênis feminino perde patrocinadores, engajamento e a chance de construir novas rivalidades históricas no saibro.

Gabriel Lima
Gabriel Lima
Gabriel Lima é jornalista formado pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e soma 15 anos de experiência na crônica esportiva. Com um currículo que inclui coberturas internacionais de peso, como o Pan de Santiago 2023 e as Olimpíadas da Juventude de 2018, Gabriel alia o rigor da apuração acadêmica à agilidade exigida pelo jornalismo de campo. Apaixonado por histórias de superação e bastidores do esporte.

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