O que aconteceu na Philippe Chatrier não foi apenas uma vitória emocionante de um garoto prodígio; foi a quebra de um dos paradigmas mais absurdos da história do esporte. Ao derrotar Novak Djokovic de virada por 4/6, 4/6, 6/3, 7/5 e 7/5, o carioca João Fonseca, de 19 anos, não apenas avançou às oitavas de Roland Garros, mas realizou um milagre estatístico.
Para entender a magnitude do que o brasileiro fez sob o sol de 34°C em Paris, é preciso olhar para os livros de recordes do sérvio dono de 24 Grand Slams.
Djokovic só havia perdido uma partida após abrir 2-0 em Slams
Novak Djokovic é amplamente considerado o tenista com o maior poder mental da história do esporte. Quando ele abre 2 sets a 0 em uma partida de Grand Slam, o jogo, via de regra, está acabado. Em toda a sua carreira, com mais de 300 jogos disputados nos quatro maiores torneios do mundo, o sérvio só havia permitido uma única virada após abrir tamanha vantagem.
Isso havia acontecido uma única vez na história. E foi há exatos 16 anos.
Até esta sexta-feira, o canhoto austríaco Jurgen Melzer era o único ser humano no planeta a poder contar a história de ter virado um 0-2 contra Djokovic em um Major (curiosamente, também em Roland Garros, em 2010). Agora, esse clube extremamente restrito tem dois membros, e um deles fala português.
O “clube dos 2”: Melzer e Fonseca
O que torna o feito de João Fonseca ainda mais assombroso é a sua idade. Quando Melzer conseguiu sua virada em 2010, Djokovic ainda era um jovem de 23 anos buscando se consolidar como o maior da história. Agora, Fonseca (19 anos) enfrentou a versão mais madura, cascuda e experiente do sérvio — e ainda assim, conseguiu quebrar a armadura do “Final Boss” do tênis.
O brasileiro provou que não se intimida com currículos e que a nova geração está pronta para reescrever até mesmo as estatísticas mais improváveis do circuito mundial.

