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João Fonseca opera milagre, vira de 0 a 2 sobre Djokovic e vai às oitavas em Roland Garros

Em uma batalha épica de 4h51, o jovem carioca de 19 anos superou uma desvantagem de dois sets para derrubar o dono de 24 Grand Slams. É apenas a segunda vez na carreira que Djokovic sofre uma virada desse tipo.

O único campeão de Grand Slam que ainda estava vivo na terceira rodada de Roland Garros 2026 se despediu do torneio nesta sexta-feira (29). E a eliminação veio com requintes de um épico cinematográfico. O sérvio Novak Djokovic caiu diante de uma atuação heroica do carioca João Fonseca, que recusou-se a entregar os pontos após perder os dois primeiros sets e lutou até o limite físico para selar a vitória por 4/6, 4/6, 6/3, 7/5 e 7/5, em exaustivas 4h51 de partida.

O triunfo monumental coloca Fonseca nas oitavas de final em Paris e carimba a maior vitória de sua jovem carreira, sendo a primeira vez que o brasileiro derrota um tenista do Top 5 da ATP.

Fonseca é apenas o segundo tenista a vencer Djokovic após 0-2

Para dimensionar o tamanho do feito de Fonseca, basta olhar para o histórico de Djokovic. Em mais de 300 jogos disputados em Grand Slams ao longo da carreira, o sérvio só havia sofrido uma virada após abrir 2 sets a 0 uma única vez: nas quartas de final de Roland Garros em 2010, contra o austríaco Jurgen Melzer. João Fonseca é agora o segundo nome dessa curtíssima lista.

A diferença de gerações também impressiona. Desde que o brasileiro nasceu, em agosto de 2006, Djokovic havia chegado às quartas de final em 18 das 19 edições de Roland Garros, sofrendo apenas uma eliminação precoce.

O Filme do Jogo: Do Domínio Sérvio à Reação Implacável
A partida mais longa da carreira de Fonseca (e a mais longa de Djokovic na atual edição do torneio) foi um teste de sobrevivência física e mental.

O Início dominante do sérvio

Djokovic começou o duelo impondo sua genialidade tática, usando bolas altas e profundas para quebrar o ritmo agressivo do brasileiro. O sérvio abriu 5/2 rapidamente. Fonseca reagiu, salvou três set-points, mas o ex-número 1 fechou em 6/4. No segundo set, a experiência pesou nos momentos cruciais. Com mais winners e menos erros não forçados, Djokovic anotou novo 6/4 e ficou a um set das oitavas.

O renascimento brasileiro

Enquanto o veterano de 39 anos começava a dar sinais de desgaste sob o calor de Paris, encurtando os pontos, Fonseca calibrou a mão. O brasileiro quebrou o saque de Nole no segundo game da terceira parcial, salvou break-points perigosos e fechou em 6/3.

No quarto set, o nível de tensão atingiu o ápice. Fonseca abriu 2/0, sofreu o empate, e precisou mostrar muita frieza para salvar oportunidades de quebra no oitavo game. No 11º game, atacou com agressividade, conseguiu a quebra fundamental e fechou em 7/5 para incendiar a quadra Philippe Chatrier.

O quinto set: consagração com aces

A parcial decisiva foi dramática. Usando sua experiência, Djokovic encontrou forças para anotar uma quebra de zero e abrir 3/1. Sem se abalar, Fonseca devolveu a quebra na sequência.

O golpe de misericórdia veio no 11º game. Ironicamente, foi com uma “deixadinha” (jogada que o sérvio usou à exaustão no jogo) que Fonseca quebrou o saque de Djokovic. Sacando para o jogo e para a história, o carioca enfrentou um break-point contra. A resposta? Frieza absoluta de um veterano: ele salvou a quebra com um ace, disparou outro ace para chegar ao match-point, e finalizou o confronto com um terceiro ace consecutivo.

Fim do tabu contra o top 5

A vitória afasta um incômodo jejum do brasileiro. Fonseca vinha de seis derrotas consecutivas contra adversários do top 5, incluindo reveses este ano contra Jannik Sinner, Carlos Alcaraz e Alexander Zverev. Sua única vitória anterior contra um Top 10 havia sido sobre o russo Andrey Rublev.

Gabriel Lima
Gabriel Lima
Gabriel Lima é jornalista formado pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e soma 15 anos de experiência na crônica esportiva. Com um currículo que inclui coberturas internacionais de peso, como o Pan de Santiago 2023 e as Olimpíadas da Juventude de 2018, Gabriel alia o rigor da apuração acadêmica à agilidade exigida pelo jornalismo de campo. Apaixonado por histórias de superação e bastidores do esporte.

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