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Stefani e Dabrowski aplicam 8/0 em tie-break, engatam 15ª vitória e vão à final

O tênis de duplas muitas vezes exige uma espécie de telepatia silenciosa, um acordo de almas que se entende na troca de olhares rápida antes do saque. No piso duro de Tóquio, Luísa Stefani e Gabriela Dabrowski parecem ter levado esse pacto para uma outra dimensão.

A paulista e a canadense não entram em quadra apenas para rebater bolas amarelas; elas desfilam uma invencibilidade que já beira o assombro. Quinze partidas seguidas sem saber o que é a amargura de uma derrota. Quando entraram para enfrentar as australianas Storm Hunter e Maya Joint nas semifinais do WTA 500 japonês, o roteiro parecia escrito por alguém que gostava de um bom suspense de cinema.

O primeiro set escapou pelas mãos, com aquela quebra tardia que deixa a torcida com o coração na boca. No segundo, o fantasma da desvantagem rondou forte quando as rivais abriram 3/1. É nessa hora que a casca grossa do esporte de alto rendimento separa os bons dos memoráveis. Stefani e Dabrowski sacudiram a poeira, retomaram as rédeas do jogo com a autoridade de quem já levantou seis troféus juntos só nesta temporada e empurraram a decisão para o dramático match-tiebreak.

O que se viu a seguir foi uma exibição de gala: um atropelo de 8-0 que virou piada interna de tão avassalador, culminando na vaga para a quarta final consecutiva.

Aos 29 anos, Luísa carrega no braço direito a força de uma geração que insiste em fincar a bandeira brasileira no topo do mundo do tênis. Ela já conhece o cheiro da glória em Tóquio, onde venceu no ano passado, e agora mira não apenas mais um caneco, mas a possibilidade real de encostar na elite máxima do ranking mundial de duplas.

Enquanto o circuito feminino de simples muitas vezes se resume a dramas psicológicos e explosões de fúria, as duplas oferecem essa comunhão refinada de estratégia e sincronia. E, no momento, a música que rege essa dança na Ásia tem sotaque brasileiro e canadense. Que venha a final.

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